A discussão sobre a saúde mental tem estado em alta desde o começo da pandemia. Com o aumento no número de casos, as pessoas têm convivido com o medo e, infelizmente, perdido amigos, familiares e conhecidos com certa frequência.

 

Essa situação de luto constante, aliada à dificuldade de manter a vida “funcionando”, ao medo de perder o emprego – visto que estamos em um momento de desemprego recorde no país – e aos altos e baixos pelos quais passam as nossas relações com terceiros, também influenciados pela pandemia, podem nos deixar mental e emocionalmente abalados.

 

As empresas que desejam manter os seus funcionários bem devem, especialmente durante as horas de crise, optar por um diálogo franco e aberto. Embora seja importante pensar na produtividade, a empatia deve ser fundamental: o material humano sempre vem em primeiro lugar.

 

Para turbinar a autoestima, a sensação de importância e pertencimento e a saúde mental do colaborador, o RH também pode estudar a possibilidade de oferecer benefícios flexíveis, ou seja, benefícios que se adequem às particularidades do momento presente e aos desejos do próprio funcionário.

 

Alguns dos benefícios que têm atraído e fidelizado profissionais no mercado de trabalho são: plano de previdência privada, possibilidade de home office, vale-academia, vale-terapia e investimentos na educação e/ou especialização do dito funcionário.

 

Retornemos, agora, ao tema principal deste artigo: trabalhar é necessário para todos e, durante a pandemia do novo coronavírus, têm nos ajudado também a focar em algo além da preocupação. Algumas pessoas, no entanto, têm ultrapassado os limites do próprio corpo e da mente.

 

Você sabe o que é workaholic? E sabe qual é o efeito dessa prática no psicológico de uma pessoa? Confira a seguir.

Workaholic: entendendo o conceito

O termo é utilizado para definir as pessoas que são, literalmente, viciadas em trabalho. Assim como indivíduos que têm problemas com substâncias e não conseguem ficar longe delas, os workaholics não conseguem “se desligar” das atividades laborais e não costumam fazer pausas ou tirar dias para descansar.

 

É fácil entrar na chave do frenesi quando estamos em um mundo cada vez mais veloz e tecnológico. Isso, porém, é terrivelmente ruim para a nossa cabeça. Não por acaso, o Brasil tem um número altíssimo de pessoas com transtornos de ansiedade e com doenças de ordem mental, como a depressão.

 

É preciso que entendamos que é possível dar tudo de si no trabalho sem torná-lo a nossa única ocupação na vida. Da mesma forma, é preciso entender que, após a finalização do horário de serviço, devemos voltar a nossa atenção para outras coisas e pessoas.

 

Do contrário, a tendência é que comecemos a nos isolar dos nossos entes queridos, percamos o prazer com as atividades que costumavam nos deixar alegres e satisfeitos e tenhamos dificuldade para fazer qualquer coisa que não seja trabalhar (ou pensar em trabalho).

 

Entre os sinais que podem indicar vício ou compulsão por trabalho estão:

  • Sensação de que está fazendo algo errado quando não está trabalhando, mesmo aos finais de semana, feriados e afins;
  • Ser sempre o primeiro a chegar e o último a sair, mesmo que as tarefas do dia já tenham sido completadas;
  • Fazer horas-extras em demasia, ignorando as necessidades do corpo;
  • Evitar compromissos sociais para trabalhar;
  • Aumento do estresse, da sensação de cansaço e da percepção (geralmente equivocada) de que você não está fazendo o suficiente;
  • Esquecer de se alimentar, de praticar coisas que dão prazer e similares para não perder o foco do trabalho;
  • Virar madrugadas preocupado ou adiantando trabalho.

O que fazer quando se é um workaholic?

É preciso entender que estamos diante de um vício, então pode não ser tão simples assim regularizar os horários e tornar as práticas cotidianas mais saudáveis. Apesar disso, o workaholic deve fazer um esforço pessoal para desligar-se do trabalho e para voltar a ter interesse por atividades das quais abriu mão.

 

Conversas francas com amigos e família sobre a compulsão por trabalho podem ajudar no processo, visto que a presença de outras pessoas tende a nos deixar mais seguros e a facilitar a nossa reconexão com as práticas sociais.

 

É importante, além disso, que o indivíduo busque ajuda especializada, para que possa buscar, dentro de um ambiente seguro e preparado, as origens de sua compulsão. Uma vez solucionado ou aliviado o problema, a saúde se restaurará, assim como a alegria de viver e o desejo de fazer algo além do trabalho.